Publicado por Ana Farias em 08.mar.2018

Zona de Conforto

Ta aí uma coisa que é difícil entender, na real acho que nunca entenderemos a razão de ser tão difícil aceitar que sair da zona de conforto é aprender. Mais na verdade, te ajuda a amadurecer.

Quando você começa com o trabalho voluntário uma hora ou outra será preciso aceitar que estar na sua zona de conforto não faz sentido. Não quando você está ali prestando um serviço que mesmo sendo voluntário exige comprometimento, porque quem recebe precisa acreditar que não é uma caridade. Não que caridade seja algo ruim, porque não é. Só não podemos continuar levantando a bandeira do assistencialismo quando o voluntariado existe para suprir ações do Estado que são de direito. Mesmo que a ação seja ambiental, por exemplo, ela existe porque as leis que deveriam cuidar do meio ambiente não estão atingindo todo o território que deveria, ou da maneira que deveria.

As atividades no orfanato Romão Duarte (RJ) nos fazem valorizar os momentos que temos com a nossa família, as coisas que tínhamos acesso quando crianças. É gratificante ver que pais levam os filhos para passar algumas horinhas lá e já desde cedo entenderem que não é preciso ter muito para ser feliz. Quando estamos vivendo com amor e carinho, aprendemos como ser feliz assim, mesmo que com pouco, porque aprendemos a importância de compartilhar o pouco que temos. Entendemos o real significado de ESTAR JUNTOS e isso sempre é mais importante que coisas materiais.

Quando você visita um hospital/asilo, e consegue trazer um sorriso para quem está visitando por alguns momentos foi possível fazer com que o sofrimento de uma doença ou de estar sozinho/a desapareça. Amenizar a dor de alguém não é caridade, é empatia. É pensar que poderia ser alguém que você conheça, até mesmo você, e que ter esse momento seria especial, e que mesmo que por minutos, a dor ou solidão seria menor.

Fazer trabalho voluntário é vivenciar muita troca e para isso acontecer de forma sincera é preciso estar sempre de coração e mente abertos. Compartilhar a minha vida com uma família que vive na pobreza, e por pobreza leia-se menos de 200/300 reais por mês tendo pelo menos 3 pessoas em casa, e ainda assim, ser tratada de igual para igual, isso para mim foi sair da zona de conforto. E já tinha vivenciado todos os exemplos de voluntariado que citei aqui, nesse texto. Lembro de acharem que a gente ganhava para estar ali, respondi que não, mas queria mesmo dizer “sim… porque o que aprendo com vocês não tem escola que me ensine”.

Na verdade aprendi a andar pelos becos de algumas comunidades sem medo, porque ali os moradores se conhecem e me reconhecem, algo que no meu prédio mesmo não acontece. Lá se eu estou sentada e me sentindo mal, logo aparece algum morador me oferecendo chá de boldo, por exemplo, na simplicidade de “é meio ruim, mas você vai melhorar” (e sim é horrível), mas o gesto que importa, a preocupação. O mesmo de que quando eu pedi água recebi um copo de mate com a resposta “seu estômago não aguenta a água daqui”.

São essas pequenas coisas que fazem sair da zona de conforto valer a pena. São conversar que fazem com que jovens queiram estudar e ter uma profissão. É ouvir das crianças o que elas querem ser quando crescer. Ou mesmo “filho agora, não mesmo, já viu o preço da fralda”.

Sair da zona de conforto significa aprendizado mútuo e mesmo que traga um pouco de medo, vale a pena. Pensem nisso. Sempre é possível aprender, e se no meio do caminho você conseguir ajudar o próximo, o aprendizado é ainda maior!

– Aninha

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