Publicado por Ana Farias em 21.jun.2018

Zona de Conforto #2

Toda região metropolitana tem em determinadas épocas ações de captadores de doadores e voluntariado. No Rio é comum vermos nos pontos mais movimentados da cidade pessoas com coletes do Greenpeace, Aldeias Infantis, Médicos Sem Fronteiras, Unicef… em abril a organização TETO faz o mesmo, mas em um final de semana e com a diferença que as pessoas que estão nas ruas são todas voluntárias.

Entenderam um pouco a diferença? As pessoas estão ali simplesmente por acreditar na causa ou que seu papel de cidadania precisa ser exercido de forma mais expressiva. Outro fato curioso… são pessoas dos mais diferentes perfis.

Por que nós dizemos sair da zona de conforto? Porque ainda que o evento seja de denúncia sobre diferentes questões que ‘passam despercebidas’ pelas autoridades do nosso país e, até mesmo, por parte da nossa sociedade, estamos nas ruas para arrecadar fundos para que o trabalho da organização continue. Arrecadamos fundo como? Nas esquinas, praças, sinais… com uma casinha de madeira que chamamos de cofrinho. Ou seja, quem não sabe o que estamos fazendo pensa exatamente isso que você deve estar pensando “pessoas pedindo dinheiro na rua”.

A realidade é que de verdade é isso. Agora onde “zona de conforto” entra nessa nossa conversa? A maioria das pessoas que está na rua nessa ação não precisaria estar ali, está por acreditar. Por conhecer e entender a necessidade do desenvolvimento comunitário, por saber que todos precisamos ter acesso aos bens básicos e que isso não é uma ‘caridade’ e sim um direito que deveria já ser efetivo.

Quando somos ignorados nas ruas entendemos o que moradores de rua passam. Entendemos o que é ser invisível, e possivelmente, passa a ver com outros os olhos as pessoas que estão pedindo dinheiro ou mesmo vendendo balas e outras coisas. Não estamos aqui dizendo que você precisa dar dinheiro para todos pelos que você passe, ou que precise comprar os doces que essas pessoas vedam. Estamos dizendo que você tenha empatia e os enxergue.

Digam”bom dia”, “não, muito obrigado”, “desculpa, mas hoje não”… coisas que façam com que esse ser humano se enxergue como ser humano. Não é porque estamos em situações diferentes, vivendo em cenários diferentes, que somos diferentes. É tudo uma questão de oportunidades. Se um dia vocês se sentirem confortáveis para conversar com algum morador de rua, ou algum desses vendedores ambulantes de rua, conversem. Entendam a realidade deles e então formem opiniões.

É preciso saber para entender, sempre.

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