Talvez eu só precise acreditar em mim mesma #BeYourselfSpecial

Hoje, o post é especial… dentro do especial. Por motivos de, o depomento é da responsável por esse especial estar acontecendo. Lembro como se fosse ontem, ela me chamando e pedindo ajuda e eu melhorando um projeto que precisou ser colocado em repouso. desfrutem dessas palavras:

“Eu não digo que eu esteja talvez totalmente curada, às vezes sinto como se eu ainda estivesse em um posso sem fim, onde eu não consigo enxerga a claridade. Talvez eu só precise acreditar mais em mim mesma.

Eu tinha apenas 11 anos quando comecei a ter distúrbios alimentares, era bastante gordinha na época, mas eu não digo que talvez tenha sofrido algum tipo de bullying na época ou coisas assim. Sempre tive amigos, apesar de ter apenas 11 anos de idade. Minha bulimia começou juntamente com os cortes, logo depois de minha irmã nascer e eu ter um ciúme possessivo da minha mãe e do meu padrasto, pois até então eu era filha única. Com o tempo eu passei a tratar minha mãe mal, brigar com meu padrasto que até hoje é mais pai do que meu verdadeiro pai. Comecei a chorar e a arrumar confusão com todos.

No início, talvez eu não tenha medido as minhas atitudes, não tenha medido meus atos, mas a verdade era que eu estava magoando tudo e todos a minha volta, eu estava vendo minha mãe sofrendo e chorando. Chegou a um ponto que eu percebi que a culpada era eu. Não era minha mãe, não era minha irmã, não era meu padrasto, não era ninguém, era eu! Eu perdi pessoas que eu achava que estariam sempre ao meu lado, me afastei de pessoas que nunca mais se aproximaram, me tornei uma pessoa que eu mesma não conhecia, uma pessoa que eu não gostava.

Parecia que ninguém me entendia, mas a verdade era que ninguém realmente me entendia, todos se afastaram por ter medo que isso talvez fosse uma coisa contagiosa e até mesmo me perguntaram exatamente isso. Sendo esse um dos piores momentos até hoje. Eu decidi procurar Deus e encontrei na religião um amparo pra conseguir seguir em frente. Juntamente com psicólogas e psiquiatras eu consegui vencer essa guerra comigo mesma durante dois anos. Durante esses dois anos eu voltei a meu corpo normal, apesar de não ter emagrecido tanto, pois o meu maior desafio eram os cortes e não a bulimia.

Aos 13 anos, eu mudei de escola, pois até então eu estudava desde os 6 anos na mesmo colégio. Era um lugar novo e eu não conhecia quase ninguém, eu entrei sendo uma novidade na escola. Ninguém sabia que eu existia até então. Eu fiz alguns amigos durante o ano, mas também perdi essas amizades pelo fato de não saber quem eu mesma era. Eu julguei pessoas que estavam comigo o tempo todo, fiz fofoca, magoei alguns, eu não me conhecia. Com o passar do tempo, eu percebi que não havia ninguém mais comigo, percebi que eu não estava tendo controle para poder lidar comigo e que mesmo eu tentando me aproximar, eu não conseguia.

Durante todo esse ano eu engordei muito e me dediquei por completo à escola. Sem perceber eu estava engordando de pouco a pouco. No final do ano, a blusa de uniforme, que no início do ano estava larga, agora estava apertada e minha barriga parecia uma bola debaixo dela. Eu comecei a me ligar para o que as pessoas diziam, eu comecei a me importar para o que os outros falavam e então eu chorava no meio das aulas, eu não estava aguentando o que talvez eu mesma tivesse provocado. No final do ano eu disse pra minha mãe que não queria mais continuar lá e então depois de muito choro, muitas brigas, ela decidiu me tirar e me colocar no colégio que estudo até hoje.

Durante um dos dias das férias, eu estava sentada na sala brincando com a minha irmã e então começou a passar o desfile de uma nova linha da Victoria Secrets, e eu olhava aquelas mulheres perfeitas, com os melhores corpos do mundo, magras. E foi naquele momento que eu coloquei na minha cabeça que eu precisava emagrecer de novo, e foi aí que o inferno dentro de mim começou. Eu passei a fazer exercícios físicos todos os dias e até mesmo quando não estava em aparelhos, eu estava fazendo alguma coisa para poder queimar calorias. Eu estava comendo somente coisas cozidas e não fritas, parei de beber refrigerante, comecei a comer salada e tudo que podia ser cozido sem sal e sem tempero e também passei a comer somente coisas integrais. Eu não comia mais biscoitos e coisas que tivessem um grande teor calórico.

Eu consegui perder 5 quilos em 2 semanas de exercícios frequentes. Em um dos dias eu comi tanto que com medo de engordar, eu vomitei. Era a primeira vez que eu fazia isso em 2 anos, minhas mãos estavam tremendo e eu fiquei triste comigo mesma por ter feito aquilo, mas ao mesmo tempo feliz por ter colocado tudo pra fora e não ter a possibilidade de engordar. Depois desse dia eu passei a vomitar todos os dias, eu não estava comendo quase nada, pois viajei pra casa do meu pai e lá não havia como fazer exercícios frequentes. Comecei a vomitar cinco vezes ao dia e não importava o que eu comia, eu colocava pra fora. Eu virei uma pessoa com 15 anos e com 45 quilos durante uns 4 meses.

Com o tempo e a mudança de colégio eu conheci o meu melhor amigo, a pessoa que eu sou verdadeira até hoje, a pessoa que eu posso brigar e que pode brigar comigo e jogar tudo na minha cara, mas que eu sei que talvez seja uma das únicas pessoas que sempre estarão comigo. Eu sei que é a única pessoa que está disposto a ouvir meu mal humor de manhã e a única pessoa capaz de conversar comigo e perceber o quanto eu estou acabando comigo mesma. Tudo veio à tona depois de um período e então eu decidi que eu deveria ser honesta comigo mesma e pensar em tudo que eu estava fazendo com o meu corpo, eu estava acabando com ele e estava acabando comigo mesma.

Eu procurei ajuda, eu assumi minhas responsabilidades, eu aceitei que eu tinha um problema e eu luto com isso até hoje! Eu não digo que estou curada, pois não estou, há dias que eu ainda vomito e há dias que eu também exagero nos exercícios físicos, mas essa é uma batalha que eu luto contra eu mesma todos os dias e tenho orgulho de falar minha história para outras pessoas que passam por isso. E por causa dessas pessoas, eu comecei a reunir fotos com a frase: “eu sou a verdade sobre eu mesma”. Eu queria mostrar pra todas as pessoas que lutam contra distúrbios alimentares que elas não estão sozinhas e que há milhares de pessoas que lutam contra isso igual a você, todos os dias.

Lembre-se que você tem um corpo perfeito sendo ele do jeito que for. Você é bonita com ou sem um manequim ideal. Você deve ser grata ao seu corpo e respeitar ele, pois ele é a sua moradia na Terra. Respeite-o! Olhe-se no espelho e perceba que se uma pessoa gosta de você somente pelo seu corpo, essa pessoa não gosta de você. Uma pessoa que realmente gostar de você, vai se apaixonar pelo que você é, pelo seu caráter, pelo seu sorriso e não pelo seu corpo.
Lembre-se sempre, você é a pessoa que deve lutar contra você mesma todos os dias e não precisa da opinião de outras pessoas pra ser bonita. Ame-se!”

– Jade Oliveira

Ana Farias postou isto no dia 10 de abril de 2015.


Comentários
Design e programação: Isabella Sivic & Danielle Cabral