Publicado por Ana Farias em 24.abr.2018

Sobre esse 2018

A violência que algumas das comunidades e moradores do Rio estão sofrendo desde que as forças armadas se instalaram na cida de anda deixando muitos cariocas mais conscientes irritados, se é que podemos usar essa palavra. A razão, nossa cidade está sofrendo com violência não é de hoje e ela não existe só nas comunidades.

Talvez fosse a hora da gente parar e pensar, qual a violência que precisamos combater? Faz sentindo mesmo a gente investir tanto só em forças armadas para controlar a tal violência? Faz sentido continuar negando acesso ao que a longo prazo pode ser a solução para essa violência, como é o caso da educação? A quem interessa essa violência estar com esse tipo de “controle”?

Toda vez que um direito é negado, é violência. Se você vai ao posto de saúde e não é atendido, é violência. Se você não consegue estudar por falta de vagas, é violência. Professores entrarem em greve e anos letivos ficarem atrasados são formas de violência.

Direitos são negados todos os dias e para isso não existe CEP e é dai que vem a nossa pergunta, por que apenas CEPs da periferia da cidade estão sendo brutalmente fiscalizados e inspecionados? Porque é mais fácil atacar os que não sabem como podem se defender ou até onde podem ir para garantir uma maneira de assegurar-se contra essa violência. Ou como uma amiga minha uma vez me disse “não possui o escudo da pele branca”.

Quando dizemos isso, não estamos fazendo apologia aos grandes bandidos, mas precisamos entender que nem sempre os malvados desse filme são os ‘chefões do morro’ porque esses nem lá no morro estão. Podem ser os do asfalto. Protegidos em grandes condomínios, nos grandes bairros. Se vocês buscarem entender a realidade das comunidades mais precárias, ou mesmo as mais urbanizadas em função de turismo, vão entender que a maioria ali são trabalhadores.

Vale lembrar que em meio a tudo isso que estamos sofrendo desde o GOLPE, porque foi golpe, existem pontos constitucionais que essas ações militares, policiais e/ou políticas não estão respeitando. Gostaríamos muito que a sociedade entendesse que essa polarização de direita e esquerda é algo mínimo se a gente for analisar todos os problemas e direitos que andam sendo violados.

Falamos disso hoje para que vocês leiam e pesquisem sobre o que o nosso país está vivendo. Para que vocês se envolvam mais nas ações e decisões que andam acontecendo na cidade de vocês. Sabemos que não é sempre que é possível acompanhar tudo, mas tentem. Muitos de vocês já podem votar e se a gente não aproveitar o benefício da internet a nosso favor, a nossa geração irá viver um novo 1964. E se vocês conversarem com seus pais e/ou avós vão entender que esse período não foi o melhor para muitos/as brasileiros/as. Não podemos deixar que todos as lutas e atos caiam no esquecimento, é preciso continuar lutando. Sem perder as esperanças, porque se buscarmos a melhor forma, podemos reconstruir a nossa cidade, o nosso estado e o nosso país.

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