Publicado por Ana Farias em 28.jun.2018

Pobreza no Brasil

Infelizmente a pobreza no nosso país é algo que existe e não é de hoje. Os número já estiveram melhores, mais pessoas já não sofriam tanto com a fome, no entanto as melhorias que tivemos nos últimos anos estão deixando de existir e os números voltam a subir.

Não vamos entrar aqui na discussão da razão por termos perdido todas essas conquistas, mas convidamos vocês a pensarem sobre o valor dos alimentos, sobre os impostos que a população vem pagando e, principalmente, como nossos direitos estão sendo trabalhados nos últimos tempos.

Se pensarem sobre isso, sobre essas questões específicas, por exemplo, vão entender que o problema é muito maior do que apenas partidos políticos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos já afirmava no Artigo 25°

1.Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.

A grande questão é que em uma sociedade capitalista os grandes sempre pensam no lucro, não importando como ele aconteça e quantos ‘cairão’ para que ele aconteça. Quando cria-se projetos e políticas públicas elas, ainda que boas e capazes de proporcionar impacto, não são fiscalizadas/monitoradas. O que leva uns, (muitos) que não precisam, fazer uso irregular de benefícios e em consequência aqueles que precisam a perdê-lo pois a sociedade começa achar que a política não é necessária, que traz prejuízo. Acredite, programas como o bolsa família que proporcionam mais ou menos R$ 70 para famílias de baixa renda não são capazes de quebrar o país. Diferente dos valores de auxilio moradia, quando há posse de residência própria, ou auxílio paletó, por exemplo.

O site “Observatório 3º Setor” trouxe, em uma postagem do Caio Lencioni, números quanto a pobreza no nosso país e fez um recorte para sabermos quantas crianças estavam nesses cenário. Segundo a Realizado pela Fundação Abrinq, o estudo Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2018 aponta que 40,2% das crianças e dos adolescentes do país, o equivalente a 17,3 milhões de pessoas de 0 a 19 anos, vivem em situação de pobreza. Ou seja, elas vivem em famílias com renda per capita mensal inferior ou igual a meio salário mínimo.

Se pensarmos que uma família pequena seria de 3 pessoas esse valor já seriam baixo, considerando os valores de contas básicas como água e luz, no caso da região de moradia contar com acesso a esse direito. Agora, sabemos que famílias mais pobres geralmente possuem núcleo familiar com 5 membros geralmente, o que torna esse valor muito baixo, uma média de R$ 6 por dia/pessoa.

A região que possui mais crianças e adolescentes nessa situação é a Nordeste, com 8 milhões de pessoas entre 0 e 14 anos vivendo na pobreza. Desse total, 3,4 milhões são extremamente pobres, isto é, têm renda per capita mensal de até um quarto de salário mínimo. Em todo o Brasil, são 5,8 milhões de crianças e adolescentes em situação de pobreza extrema.

Qual o impacto desses números no futuro? O crescimento do trabalho infantil. O estudo também aponta que 6,4% dos brasileiros entre 5 e 17 anos trabalham para o próprio consumo, o equivalente a 2.550.484 de crianças e adolescentes. A região Norte foi a que teve o maior índice de trabalho infantil, com 401.114 crianças entre 5 e 17 anos ocupadas (9,1% da população nessa faixa etária da região).

Quando em idade escolar crianças precisam trabalhar para conseguir melhorar minimamente a qualidade de vida da sua família, a probabilidade dela abandonar os estudos aumenta. Começa assim o efeito dominó da baixa escolaridade da família e por sua vez o exército de reserva dos empregos com baixa remuneração e condições de trabalho quase que insalubres.

Entenderam a razão da nossa afirmação sobre tudo isso ser bem maior que essas divisão de direita e esquerda?

*imagens retiradas do CENÁRIO DA INFÂNCIA 2018

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