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Continuando a semana do Novembro Dourado aqui no site, nós decidimos compartilhar com vocês uma dissertação LINDA que achamos durante as nossas pesquisas sobre câncer infantojuvenil. A dissertação recebeu o título “Convivendo com o câncer infanto-juvenil: representação do irmão saudável acerca da doença”, e foi parte do trabalho da mestranda Thais Helena Castelo Branco Leite.

Segue um resumo do trabalho, tirem 5 – 10 minutos do seu dia e leia… é importante porque entendemos um pouco como a parte saudável da família pode lidar com o paciente com câncer da família.

O câncer infanto-juvenil abrange todos os tipos de câncer em pessoas com menos de 15 anos e é considerado raro (1 a 3%). Diante das evoluções no tratamento, protocolos terapêuticos e especialização de profissionais para a área, tem se observado que 75% das crianças e adolescentes sobrevivem cinco ou mais anos a partir do diagnóstico, o que permite que a criança doente e suas famílias vivenciem o câncer por tempo prolongado. Este aumento da sobrevida traz consigo o desafio de inclusão familiar no contexto do cuidado, em especial do irmão saudável, que não é preparado para lidar com essa realidade.

Neste contexto, este estudo teve como objetivo principal compreender a representação dos irmãos de crianças com câncer sobre o câncer infanto-juvenil. Como objetivos específicos buscou-se compreender o impacto que o câncer infanto-juvenil acarreta na vida de irmãos saudáveis de crianças com câncer e descrever como este afeta a dinâmica familiar. Trata-se de um estudo exploratório descritivo de cunho qualitativo, com a participação de 10 irmãos de crianças e adolescentes com câncer e oito mães em uma amostra intencional, utilizando o critério de saturação teórica. A coleta transcorreu no período de julho de 2012 a janeiro de 2013.

Foram aplicados questionários biopsicossociais com as mães das crianças para caracterização da situação familiar e dados relativos à criança com câncer e seu irmão. Com os irmãos, foi aplicada uma entrevista semiestruturada, que foi apresentada de forma contextualizada em uma narrativa sobre um irmão de criança com câncer (Pedrinho), contendo as seguintes questões chaves: Você poderia explicar a Pedrinho o que é o câncer? Como você explicaria a Pedrinho o que é o câncer? O que vai acontecer na vida de Pedrinho? E na vida da família dele? O material foi gravado em meio digital e as falas foram transcritas e analisadas de acordo com a análise de conteúdo em categorias temáticas, na modalidade proposta por Bardin.

Após o tratamento dos dados emergiram as seguintes categorias temáticas: 1) Doença grave que pode levar a morte e precisa ser esclarecida; 2) Doença que provoca mudanças que afetam a família e geram sentimentos negativos.

Os resultados mostraram que há por parte do irmão saudável algum conhecimento sobre a doença, assim como sobre a possibilidade de morte do irmão. Os relatos também revelaram que se trata de uma doença que traz mudanças para o cotidiano da família, principalmente para o irmão saudável que se sente deixado de lado e pode perder o contato com o irmão doente e com a mãe, que o acompanha doente durante o tratamento. Apesar de relatado sentimentos negativos com relação à doença, também foi ressaltada a adaptação ao contexto após certo tempo de convivência com a situação. Como forma de ajudar o irmão saudável nesse processo, é necessário que o profissional de saúde preste seu cuidado orientando a família a ter um diálogo franco e aberto com todos, com a inclusão de todos os membros da família, para tentar minimizar os sentimentos ruins gerados neste processo.

Fonte.

Ana Farias postou isto no dia 22 de novembro de 2013.


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