O problema são as oportunidades

Sabe essas histórias que confirmam o que a gente acredita? Pois é exatamente isso que sentimos quando encontramos essa matéria no site da BBC ♥ O Brasil, não sei se sabem, já esteve em mais de 50 operações da Organização das Nações Unidas, mas nenhuma foi tão duradoura como a Missão de Paz para Estabilização do Haiti (Minustah).

Durante 13 anos, mais de 37 mil militares brasileiros estiveram no país para dar assistência a cerca de 10 milhões de haitianos. Além da turbulência política, ajudaram o país a enfrentar desastres naturais, como o terremoto de 2010 e o furacão Matthew, no ano passado. Problemas, como acusações de envolvimento em crimes, também ocorreram. Porém seguiram lá, apoiando e acreditando, consequentemente milhares de pessoas tiveram suas vidas transformadas nesse período.

A BBC Brasil contou algumas dessas histórias, como a de Brisson que nasceu em Cité Soleil. A população da região que, em francês, significa “cidade do sol”, sempre temia o entardecer. Durante a noite, sem eletricidade, a única luz que se via por trás dos casebres de lata eram dos tiros e dos charutos de drogas. Pensem o quanto sofremos por ficarmos sem energia quando na realidade o escuro de muitos é incontrolável e as poucas luzes não são de velas.Uma situação que poderia ser parecido com as favelas brasileiras, se não fosse o fato de que ali está a concentração das pessoas mais pobres do Hemisfério Ocidental.

Ali, onde Brisson nasceu, a fome é rotina, estudar é privilégio e ter um emprego é luxo.

Esperto, ele se esquivou das dificuldades de morar na vila que já recebeu o indesejado título de mais perigosa do mundo. Também resistiu ao fato de viver em um país que foi governado por uma sequência de ditadores, onde os motins eram diários. Em 2004, quando o país estava no ápice da crise humanitária, a ONU enviou uma missão de paz ao Haiti. Uma base militar foi instalada dentro de Cité Soleil. Brisson acompanhou o desembarque dos militares brasileiros e sentiu que precisava aprender português.

Autodidata, observava o ritmo da fala, a composição das frases e consultava o dicionário. Aprendeu. A ONU precisou de intérpretes e ele foi selecionado.
Brisson, não! Jimmy. Jimmy gaúcho. A cada seis meses, o efetivo militar brasileiro era substituído e o jovem intérprete aprendeu sobre a diversidade cultural do nosso país. Ele decidiu então que seria gaúcho. […] Com a oportunidade que teve de ser intérprete da ONU, ele aproveitou para estudar Comunicação e Direito. Ao contrário de todas as expectativas do lugar onde nasceu, Jimmy ganhou um futuro.

Continuação dessa e outras histórias você pode acompanhar em uma entrevista no site da BBC, aqui!

Ana Farias postou isto no dia 28 de julho de 2017.


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