Publicado por Ana Farias em 10.maio.2018

Mulheres na política

Que as mulheres começaram a buscar espaço na sociedade já é percebido faz um tempinho, mas ainda que o burburinho hoje seja maior e de alguma forma mais visível, nosso espaço ainda é pequeno. Aliás, bem pequeno e quando conquistado a gente precisa mostrar ser capaz em dobro.

Confesso que eu mesmo comecei a lutar mais pelo meu espaço na sociedade depois que entrei para um voluntariado que me permitia essa discussão. Não era para ser assim, porque cresci com pais separados e morando com a minha mãe, uma mulher que fez de tudo para mostrar que ela poderia sim vencer na vida e criar uma filha sozinha. Não culpo meu pai pelos pensamentos machistas, nem meu irmão… culpo mesmo a sociedade que sempre perpetuou isso neles e eles não admitem estar errados. Meu pai além de ter nascido no Brasil pós guerra, foi militar e meu avô era tão patriarcal quanto a sociedade dizia ser preciso ser.

Digo tudo isso no meu posto de mulher, mas que por ter a pele branca sei que vivo privilégios. Toda essa distinção e estamos apenas fazendo um recorte de sexo, porque se colocarmos outros recortes como raça e renda, arrisco a dizer com certeza que as disparidades são mais assustadoras. Tentem pensar as suas dificuldades comparando-se com uma pessoa do sexo oposto, depois compare o gênero, a raça e o posto econômico que ocupa. O resultado da desigualdade está ai, as pessoas que não enxergam (ou não querem enxergar) seus privilégios e acham que tudo é uma questão de merecimento, quando na verdade é sobre acesso.

Moro no Rio desde 2007, mas confesso que comecei a acompanhar política tem uns 4 ou 5 anos, influência das pessoas com quem eu convivo nesse mesmo voluntariado. Talvez seja por isso que o caso Marielle tenha me impactado tanto, por ter militado por ela e com ela desde antes dela se lançar como vereadora. Foi esse mesmo caso que me levou a descobrir uma matéria no El Pais Brasil e resolver conversar com vocês sobre.

A reportagem mostra que em 2016 “cerca de 68% das cidades sequer tiveram uma candidata à Prefeitura” e se você se perguntar a razão, a resposta é até bem simples, uma mulher militar por seus direitos não é comum em grandes centros urbanos, imagina em pequenas cidades e/ou cidades do interior. Não que a gente seja melhor, e mesmo que seja, a questão é que homens sempre foram os líderes políticos desde a colonização do Brasil e aceitar que podemos ter opiniões e fazer com que pessoas acreditem na gente ainda é uma afronta para muitos.

Agora quando se fazemos um recorte, como comentamos lá em cima, vemos que todo esse domínio é ainda mais assustador…

No recorte por raça, a disparidade é ainda maior: 61% dos prefeitos eleitos foram homens brancos. Apenas 1,5% homens negros e menos de 1% mulheres negras. Já no ranking por região, o nordeste é a que mais tem presença feminina no poder executivo: 16%, quatro pontos percentuais acima da média nacional. O Rio Grande do Norte é o Estado brasileiro que mais tem mulheres prefeitas.

Os grandes barões da política do Brasil são os mesmos direta ou indiretamente há anos e para eles o interessante é que siga assim. Mudar uma plataforma política significa mudar a fonte de renda, e mais assustador… mudar quem é beneficiado. Como o que a gente aprende na escola nem sempre fica na nossa memória, a mesma reportagem ainda relembra “no Brasil, enquanto homens puderam votar e ser votados a partir de 1891, as mulheres só conquistaram este direito em 1932, 41 anos depois”.

Então, aos que estão lendo e votam esse ano ou no ano que vem ou no próximo, pensem se a pessoa que você escolheu realmente te representa. A gente não está fazendo campanha para nenhum partido ou político/a, apenas pedindo para vocês seguirem acreditando. Hoje temos um aliado que pode ser usado a nosso favor que é a internet, por isso se informem… participem de ações e conversas com os/as candidatos/as que vocês acreditam, sintam-se parte e vocês vão entender que mudanças podem acontecer e mais importante que qualquer coisa, as minorias podem ter voz e ser ouvidas sim!

DEIXE SEU COMENTÁRIO