irmaos inca

Já postamos aqui sobre as relações entre irmãos saudáveis que possuem um irmão com câncer, se você perdeu só ler aqui! Hoje viemos com uma nova informação com essa relação, mas como a matéria é grande reduzimos para ficar mais fácil a leitura. Quem quiser, no final do post tem o link para ler na íntegra.

Uma ponto legal de toda essa história, as pessoas citadas estão morando na Casa Ronald, ou seja, nossa equipe conhece a luta deles de perto! Morôni Arballo, de 8 anos, sabe que sua irmã Lisa, de 17, veio ao Rio fazer uma cirurgia “para ficar melhor”. Ele também sabe que a operação fez parte do tratamento contra um câncer ósseo na perna. Por essa razão, o garoto embarcou num avião de Manaus, onde a família morava, rumo ao Rio. Um diagnóstico de câncer abala o funcionamento de qualquer família, mas quando o paciente é criança ou adolescente e não é filho único, um aspecto delicado costuma ser eclipsado pelas preocupações mais urgentes dos pais: o estado psicológico dos irmãos não doentes.

Depois de uma tese de doutorado, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) decidiu elaborar um novo protocolo de atendimento, para incluir esses irmãos, muitas vezes entregues às próprias fantasias. Lisa é uma das 250 crianças e adolescentes com câncer que chegam, todos os anos, ao Inca, no Centro do Rio. Como a maioria, não é filha única. Mas como ter prioridades enquanto o outro irmão, fragilizado, enfrenta sessões de quimioterapia e sucessivas internações? Os tabus associados ao câncer infantil são o maior obstáculo.

O câncer é uma doença associada à morte, e há uma conspiração de silêncio em torno disso, quase um segredo familiar. Os pais estão ausentes emocionalmente, assustados e às vezes deprimidos. Não são mais aqueles que as crianças tinham como referência, não estão acessíveis. E o que os irmãos fazem? Imaginam, fantasiam. As mudanças de comportamento são mais profundas do que aquilo que pode ser visto apenas como ciúme de criança. Várias crianças não se permitem olhar para elas mesmas enquanto o irmão está doente.

Eles falam que não aguentam mais, que fazem o possível. Quando percebem que estão com inveja, raiva ou vergonha do irmão, se culpam e tentam sair disso se apresentando para os pais como crianças colaboradoras. Os pais já estão mortificados ao ter um filho com câncer. O outro não pode adoecer de jeito algum, não pode dar trabalho. É um peso muito grande sobre eles. Por incrível que pareça, os presentes em excesso são um problema dentro de casas que têm crianças com câncer. Como diria John Green, são os “benefícios do câncer”. Não se trata de evitar a chegada de brinquedos novos, mas, sim, de tratá-los de uma forma mais cuidadosa. As doações aparecem em grandes quantidades, e a criança com câncer acaba com um “ganho secundário”, enquanto a saudável fica com inveja.

A partir do primeiro semestre deste ano, serão estudadas e implementadas ações internas. O protocolo que será elaborado também pode incluir um “Dia do Irmão” para aproximar as crianças saudáveis das que estão em tratamento, com incentivos para ir ao hospital, que já permite visitas e brincadeiras no ambulatório. Tudo indica que haverá, também, uma maior oferta de informação para eles, com a criação de grupos de irmãos. Existe a defesa que um psicólogo converse com a criança para detectar se ela precisa de acompanhamento. A partir daí, o contato seria mantido, e a criança teria a quem recorrer. A ideia é que essa agenda seja aberta e faça parte da rotina.

Em conversas com outras famílias, Mariana, mãe de Lisa, diz que a disputa entre os irmãos é assunto recorrente. Muitas vezes os filhos se afastam porque o outro é o centro das atenções. A afetividade é necessária, e a família unida traz amor e carinho a todos. Para Lisa, que se recupera bem da cirurgia feita no último dia 30, o contato com os irmãos, Moroni e Bárbara, é fundamental no tratamento, que tem bom prognóstico de cura. Tranquila, ela diz que quem ficou mais assustada foi sua mãe e que, no início do tratamento, a distância dos irmãos deixou os dias mais difíceis.

 

Fonte – O Globo

Ana Farias postou isto no dia 16 de fevereiro de 2014.


Comentários
Design e programação: Isabella Sivic & Danielle Cabral