inspire-se 2014

Selena ama dançar, diz que é melhor que ir à academia. Até porque manter a forma se divertindo é bem mais agradável, não?! Não importa o estilo, dançar é sempre bom. Há projetos espalhados pelo Brasil que envolvem danças em diferentes espaços, o que compartilhamos hoje ganha destaque porque em um espetáculo poucos percebem que aquelas bailarinas não escutam, apenas sentem a música e suas vibrações por causa de placas de metal posicionadas em frente às caixas de som.

O show de leveza e ritmo só é possível graças ao método inovador criado pela coreógrafa Wilmára Marlière, de 47 anos. “A vibração funciona como uma fisioterapia no nervo auditivo lesionado. As alunas apresentam melhoras significativas, comprovadas por exames”, explica Wilmára.

Ela começou a elaborar a técnica em 1991, quando descobriu que tinha a síndrome de Arnold-Chiari, uma má-formação congênita do crânio que atinge o sistema nervoso central. Os sintomas variam entre dor de cabeça intensa, fraqueza muscular, apneia, surdez e até perda total dos movimentos. “A vida toda sonhei em ser bailarina. Não iria desistir depois de finalmente conseguir”, diz ela, que, tão logo percebeu que estava perdendo a audição, buscou descobrir onde a música vibrava em seu organismo. “Usava materiais caseiros, como garfo e panela, para recriar o som”, conta.

Quatro cirurgias e anos de fisioterapia depois, a vontade imensa de dançar fez Wilmára vencer a doença. Como forma de gratidão, a coreógrafa criou há 22 anos – com ajuda da irmã, a também bailarina Meiry Isméria – o Projeto Céu e Terra, que ensina balé a crianças carentes e com deficiência auditiva.

Como é um plano de inclusão, as aulas reúnem surdas e ouvintes. “Na sala e no palco, elas são iguais”, diz a coreógrafa, que atende um grupo de mais de sessenta crianças. Os encontros ocorrem duas vezes por semana em uma sala no Colégio Arnaldo, no bairro de Funcionários, em Belo Horizonte.

Recentemente, o marido da fundadora, o músico Webert Marlière, também abraçou a causa – ele dá aulas de violão a pessoas carentes e com deficiência visual. Juntos, durante as apresentações que realizam em vários locais da cidade, os dois mostram que nenhuma diferença é capaz de vencer a arte. “O deficiente pode ser protagonista de sua própria história, basta querer”, afirma Wilmára.

Fonte – Planeta Sustentável

Ana Farias postou isto no dia 26 de outubro de 2014.


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