Publicado por Ana Farias em 13.set.2018

Fora da bolha

Tem um tempo que esse assunto/debate sobre privilégio anda rodeando muita coisa que a gente posta aqui ou mesmo vive. Não sei se hoje estamos mais atentos para todas essas injustiças que convivemos ou se a gente nunca tinha parado para pensar sobre essas situações mesmo. Talvez o fato de hoje termos maior acesso informação tenha contribuído para que determinados assuntos sejam falados.

No entanto, claramente essa parede invisível que separa as pessoas está atingindo quem antes era beneficiado e essa perda de acesso é que anda provocando tanto burburinho. Junto à isso temos aquela parcela da sociedade que entende o seu papel e por ter essa percepção busca espaços para que essas questões sejam ouvidas e novas atitudes comecem acontecer.

Vale comentar que nessa parcela encontramos pessoas que fazem parte desse recorte privilegiado e que por terem um maior conhecimento buscam maneiras de amenizar tanta diferença e descaso. Ainda que saibam que não vão conseguir mudar toda a sociedade, que seria utópico demais pensar dessa forma. São simplesmente pessoas que entendem que possuem a voz privilegiada e por isso acabam por serem ouvidas mais fácil. Lembram da carta aberta da Taylor Swift para a Apple sobre os 3 meses grátis do AppleMusic?

Tudo bem que essas pessoas que habitam o topo da pirâmide podem até não ser atendidas em tudo que buscam e contestam, mas elas são ouvidas e nesse caminho um ou outro começa a se questionar sobre essas mesmas pontuações. São nesses momentos que algumas questões enfrentadas pela minoria começam a ganhar mais espaço.

Outro bom exemplo são as bolsas de estudos que escolas caras disponibilizam. Do que adianta disponibilizar esse acesso se os profissionais envolvidos naquele ambiente não trabalham a inclusão? Nada. É importante que exista representatividade e que essa representatividade se sinta pertencente. Só isso faz com que o acesso gerado alcance o seu objetivo. Uma vez escutei que um jovem preferiu mudar de escola particular, dessas caras, e voltar para pública por não se sentir parte, porque mesmo entre os bolsistas na sua sala e série ele era o único negro.

Por outro lado, esse ano tive o privilégio de conhecer um grupo de estudantes, de uma escola de elite também, mas cheios de vontade de buscar essa maior representatividade no ambiente que vivem. Como percebi disso? Pela forma que convivem com os alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Quando as relações sociais são feitas de forma verdadeira sem que se crie esteriótipos o convívio social acontece e nada mais importa que a pessoa que está do seu lado. Quando falamos isso não estamos levantando a bandeira de que vocês precisam deixar de fazer coisas que gostam e podem porque outras pessoas não podem. Queremos apenas que se questionem quanto ao fato de oportunidades diferentes, nos levarem a caminhos diferentes.

Não desvalorize o próximo sem entender o cenário que ele vive ou o passado que ele carrega. Acredite, pensar fora da bolha do privilégio é complicado, nem sempre é fácil… mas é possível.

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