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Hoje temos a PARTE DOIS do nosso especial sobre Apropriação Cultural, os casos atualmente são mais comuns do que imaginamos, mas ao se tratar de outras culturas (geralmente muito distintas da nossa) dificilmente ”enxergamos” o erro. Afinal não estamos acostumados, foge ao nosso comum, mas ainda assim não podemos ter medo de enxergar o diferente. Conhecer novas culturas, estar aberto à novas experiências é sempre uma boa atitude.

Nesse post vamos tratar de algumas apropriações feitas pela Selena, que provavelmente como bons Selenators vocês iram lembrar, e também de outros artistas.

Bindi (Selena Gomez): na era Come & Get It, Selena não fez questão de esconder suas referências hindus ao single do Stars Dance. Na arte da capa, Gomez já se mostra com um visual diferente, trajando uma coroa de jóias num fundo de ostras vermelhas. Nas suas performances da canção, Gomez usava sempre o bindi, tais como em algumas candids. Mesmo com a banalização do acessório, algumas mulheres indianas consideram o uso da maquiagem indiana tradicional ofensivo por mulheres que usam, por se tratar do que tradicionalmente é um símbolo do casamento.

Clipe de Ride (Lana Del Rey): Lana em seu clipe faz uso do cocar indígena, acessório que na cultura da tribo só deve ser utilizado quando um índio chega a um determinado posto social ou religioso. Lana foi alvo de diversas críticas por ter usado o cocar sem nenhum significado aparente, apenas fazendo parte do figurino numa performance vazia e desnecessária do acessório.

Roubo de protagonismo na cultura negra (Iggy Azalea): No caso mais recente, e talvez mais repercutido da lista, Iggy é vítima de constantes ataques da rapper Azealia Banks, que argumenta que a cantora australiana se apropria do ritmo musical sem acrescentar nada ao mesmo. Muitos rappers negros afirmam que as pessoas querem consumir a cultura negra mas com a mesma sendo representada por vozes brancas, roubando o protagonismo dos negros no ritmo. Iggy Azalea também já foi diversas vezes acusada de racismo por tweets de conotação ofensiva.

Os artistas são pessoas de carne e osso como nós, portanto, também cometem erros. Muitos deles já cometeram ou cometem algum tipo de apropriação cultural, mas como dito anteriormente, a postura ideal seria reconhecer o erro e evitar cometê-lo novamente. Vale ressaltar que em todo o mundo ocorre apropriação cultural, mas nem todos são julgados pela sociedade uma vez que podem não ser pessoas públicas, por exemplo. Mas, sendo ou não, o que importa é mostrar respeito. Isso não só quanto a cultura de outros países, a nossa própria. Quer um país mais democrático culturalmente falando que o nosso? Pensem nisso com carinho, e lembre-se aceitar o corte de cabelo ou a cor da roupa de alguém, é aceitar uma escolha. Vivemos em um país que temos liberdade de escolha, mas a liberdade só é real se está acompanhado do RESPEITO.

 

Edgar Müller postou isto no dia 08 de janeiro de 2015.


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