Publicado por Ana Farias em 02.ago.2018

Em guerra, mas contra quem?

Faz um tempinho que eu conheci um site incrível, que busca trazer para discussão temas necessários e que muitas vezes acabam sendo esquecidos. Ainda que ele aborde a realidade do Estado do Rio de Janeiro, se você assim como a gente gosta de ler sobre a importância de buscar uma sociedade cada vez mais igualitária, provável que depois da sua primeira visita ao RIO ON WATCH¹ você se apaixone pelo portal também.

Tem tanta coisa acontecendo no país, tanta coisa acontecendo na cidade do Rio, que acreditar fica cada vez mais complicado. A gente sabe, acredite. É cada vez mais evidente que a sociedade segue criando muros para que as diferentes classes sociais não se misturem, para que os tempos de colonização não sejam esquecidos e com isso a cada dia o discurso de ódio cresce.

Quem acompanha as notícias, sabe que os grandes centros urbanos enfrentam diariamente momentos de violência e arriscamos dizer que a cidade do Rio de Janeiro é uma das cidades com índice mais alto. Talvez a maior questão que influencie esses números sejam as grandes falhas que o sistema de combate as drogas enfrenta. Juntamente com o preconceito que instala nas pessoas que habitam esses espaços, mas não estão envolvidos diretamente com as drogas.

Nesse cenário entra o que chamamos de rótulos de identidade. Vidas inocentes que habitam esses espaços, que são majoritariamente da periferia, sendo classificadas como envolvidos e pagando um preço alto por ocupar esses espaços, quando não foram oferecidos outros para que ocupassem.

O tráfico é muito mais que a ‘boca de fumo’ que encontramos nos morros e favelas. O tráfico de drogas envolve uma ampla rede de produtores, distribuidores e consumidores, bem como um sistema financeiro robusto para a lavagem de milhões de dólares por ano. No entanto, a polícia foca os seus esforços somente nas comunidades de baixa renda com populações historicamente marginalizadas.¹

Pensando sobre essas questões a gente deixa alguns questionamentos de Orlando Zaconne, para vocês “Quem está por trás do grande tráfico de drogas? O sistema financeiro, eles lavam todo esse dinheiro. Eles guardam a quinta maior economia do mundo debaixo de um colchão”. Este enfoque seletivo à repressão às drogas perpetua a violência das drogas, falhando na abordagem das principais fontes do mercado de drogas como os intermediários financeiros, distribuidores e consumidores que muitas vezes moram em bairros mais nobres. Além disso, estas ações servem para reforçar estereótipos falsos quanto aos moradores das favelas e criam um sistema de repressão violenta motivado pelo preconceito racial e de classe. Orlando Zaconne continuou a descrever este enfoque seletivo como “um dos pilares da discriminação”.¹

Entenderam que o briga é por algo bem maior? Todos que ganham, direta ou indiretamente, com tudo que envolva o mercado de drogas não querem perder espaço, muito menos deixar de lucrar com isso. Por isso não buscam uma solução EFETIVA que acabe com essa guerra. A grande questão é que no meio disso muitos Marcos Vinicius acabam por ter a vida interrompida.

O mais triste disso é ver que a gente segue com governos que não trabalham na prevenção dessa violência. Dani Monteiro, estudante cotista de Ciências Sociais da UERJ, argumentou no evento ‘Pretas por Marielle’ que basta analisar o orçamento do Estado e ver que desse orçamento a cultura representa menos de 1% enquanto segurança pública representa mais de 6%. […] o Estado prioriza ação e não prevenção, claramente visível em uma política que investe bilhões para armar a polícia contra a população

E difícil entender o egoísmo por parte dos que tem acesso de permitir que a parte invisível da sociedade tenha acesso aos espaços educacionais. Falam tanto de mérito e criticam os sistemas de cotas, mas não permitem que as pessoas possam disputar espaços de forma igualitária. Por isso é importante falar sobre, se posicionar. Só assim as pessoas, que por algum motivo ainda não perceberam o quão perigoso é caminho que estamos, podem começar a pensar diferente. Para quem sabe em algum momento começarem agir diferente.

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