Publicado por Ana Farias em 05.jul.2018

E as pessoas seguem ignorando os privilégios

Espero que vocês lembrem do burburinho que foi produzido depois que atrizes de Hollywood deram início ao movimento Time’s Up. A questão principal discutida naquele momento pelo movimento era a igualdade de gênero na indústria, seja por espaço ou por salários mais equivalentes.

Naquele mesmo período, tivemos um discurso incrível da Viola Davis durante a marcha das mulheres, com questionamentos bem importantes. Colocamos o vídeo dele aqui em baixo, mas não achamos nenhuma versão com legenda, desculpem… o que acaba sendo mais uma prova de que ainda não conseguimos ter acesso a tudo e que sim, vivemos em uma sociedade em que acesso é privilégio sim.

A nossa sociedade elogia figuras negras que se destacam, mas não a valorizam da mesma forma que valorizariam figuras brancas. E sim, isso é um privilégio.  Vale ainda citarmos uma declaração da Octavia Spencer, durante o Festival Sundance, sobre a sua descoberta de diferença de salário entre ela e sua amiga de elenco Jessica Chastain. A atriz negra, que já venceu um Oscar e está indicada em 2018 afirmou que negras ganham recebem menos que mulheres brancas e que para ter uma conversa sobre igualdade salarial, mulheres negras deveriam ser chamadas a falar. ¹

Jéssica se posicionou frente a produtores para que em obras que fizessem juntas os salários fossem equivalentes. Ainda comentou que se homens realmente se interessarem em fazer a diferença e quisessem construir uma sociedade mais igualitária pensariam da mesma forma. A questão não é a falta de dinheiro da indústria e sim a falta de interesse em ser mais igualitária.

Uma matéria do Jornal NEXO² ainda aponta essa falta de diversidade por trás das câmeras. Não adianta buscar uma inclusão nos que fazem parte de toda a produção de uma obra, se quando existe uma premiação as pessoas que escolhem e julgam essas produções não são pertencentes as minorias. A declaração da Cleissa Regina fala exatamente sobre isso.

“Num momento em que esses grupos [mulheres e negros] vêm tendo conquistas consideráveis no campo da produção audiovisual, como as cotas em editais de produção da Ancine e do Ministério da Cultura, é preciso pensar também na recepção (…) Se histórias mais diversas serão contadas, é preciso que olhares mais diversos analisem, avaliem, selecionem e ordenem essas histórias; bem como as premiem.” Cleissa Regina Martins no boletim “Raça e Gênero Na Curadoria e No Júri De Cinema”

Por isso, não basta apenas que a gente busque ações mais igualitárias, precisamos buscar a inclusão desses grupos nas nossas vivências. Para além disso, se você não faz parte desses grupos, é importante buscar maneiras de criar espaços para que esses grupos sejam vistos e ouvidos.

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