No post de hoje da coluna semanal Diário Voluntário iremos continuar com o post da semana passada (se você o perdeu clique aqui para lê-lo), confira logo abaixo o desta semana:

Um dos casos que me aborreceu muito também, se é que eu tenho direito a ficar aborrecida, foi quando uma das crianças voltou para a sua família. Nunca vou me esquecer de quando conheci o Levi, que tinha 5/6 anos, não sei ao certo. Assim que eu o vi lá, eu me sentei para conversar com ele e ele começou a chorar pela mãe, e eu não sabia como reagir. Ele chorou querendo ela por mais alguns dias, mas acho que depois se cansou. Pelo que parece, Levi tem um certo retardo mental, não é grave mas é meio perceptível, e eu acho que foi por isso que a família dele o colocou lá. Quando ia visita-los, Levi me bombardeava de perguntas totalmente sem sentido nenhum, que era o normal de todas as crianças perguntarem, mas elas não perguntam. Levi fazia perguntas do tipo “porque as rodas são redondas? Porque elas rodam?”, “porque o lobo mal comeu a chapeuzinho vermelho?” se eu explicasse o porquê dele ter comido ele viria com uma do tipo “porque ela não correu”. As perguntas deles eram dignas de respostas, mas que nenhum adulto são conseguiria responder pelo simples fato de ser tão óbvio que chega a não ter mais sentido nenhum. As perguntas do Levi eram tão bem objetivas e inteligentes que eu não conseguia responder muitas e quase sempre puxava ele para irmos brincar com as outras crianças.

Um dia, eu conheci a mãe do Levi, e foi ali que me bateu uma raiva da família dele. Ela foi visita-lo por 1h. Fechada, certinha. Levou os seus outros dois filhos, muito “bem vestidos” (na medida do possível) por sinal. A menina aparentava ter uns sete anos, estava com um vestido lindo floral, com um sapatinho com um laço e o cabelo arrumadinho e o menino, estava muito

bem vestido com uma calça e sapato social e blusa. A mãe também estava muito bem vestida e, após isso, eu me perguntei do porque da mãe do Levi cuidar tão bem dos outros dois filhos e deixar o Levi sem os pais jogado, naquele orfanato, dai eu tirei a resposta dela não querer ele por ele aparentar ter alguma doença. Posso estar totalmente errada, mas isso faz muito sentido e é muito errado. Levi voltou pra casa com os pais depois de alguns meses morando lá.

 

Mas não são só de casos onde a família pega a criança de volta que acontece no orfanato não, foram poucos, mas desde que eu entrei uma criança foi realmente adotada e outra está para ser.

Ícaro foi adotado por uma pessoa muito famosa no Brasil (muito mesmo, porém não irei citar o nome dela). Ícaro chegou lá recém-nascido, eu morria de medo de pegar nele com medo dele se desintegrar ou algo do tipo, ele era muito frágil. Ícaro foi adotado aos cinco meses e, pela quantidade de gofadas que eu levei dele, quantidade de fraldas que eu troquei e mamadeiras que dei, já me considero importante o suficiente para visita-lo (haha).

E a Dani, que eu também já limpei muito. Conheci a Dani quando ela tinha uns 9 meses e ela já era impossível. Dani acordava às 6 da manhã e tirava toda a sua roupa e fralda, quando iam vê-la, estava totalmente nua e se achando o máximo. Ela nem chegou à completar dois anos, mas foi “expulsa” do berçário por comportamento indevido, como eu disse, Dani é impossível. O berço dela quase não existiu pra contar história. Mas o que eu queria falar é que: Dani está sendo adotada por uma mulher muito adorável e que regularmente vai visita-la.

Após muitos meses convivendo no Lar da Criança, aprendi que o processo de adoção é extremamente demorado e completamente escroto, porque enquanto famílias querem crianças para amar e crianças querem poder ter uma família, os juizados estão criando obstáculos e mais obstáculos que torna longo cansativo o processo de adoção.

Se esse processo fosse acelerado, os orfanatos estariam mais vazios hoje em dia.

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Michele Lima postou isto no dia 27 de janeiro de 2014.


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