Diário Voluntário

Faz um tempo que não escrevemos um relato, acho que por estarmos focado no especial que estamos preparando, mas essa última semana vivemos algo novo. Conhecemos algo novo, uma situação nova. Espero que gostem…

Então, a gente sempre fala aqui sobre o amor materno, sobre abrir mão do seu pelo sorriso de outro. Aprendemos sobre respeito, sobre dor e superação. Aprendemos a julgar menos e entender mais. Aceitar mais. Não por ser mais fácil, mas por entender um pouco melhor o que o nosso próximo vem passando. Nesses quatro anos de site eu aprendi muito, nos dois últimos de trabalho voluntário eu venho aprendendo mais ainda. O aprendizado é diferente, mas ambos são importantes.

Nesses dois anos eu entendi melhor como lidar com o câncer, não tive nenhum caso na minha família, mas quando você faz um voluntário em uma instituição que abriga pacientes em tratamento você cria laços. Laços trazem sentimentos, que por sua vez fazem com que você se sinta parte. Sentir-se parte faz você pensar que aqueles personagens que participam da sua vida uma vez na semana, agora não só fazem parte da sua vida, mas são como sua família. Sabe quando você percebe isso? Quando você passa a fazer orações por eles, como faz para você e sua família. Quando começa a querer saber mais das rotinas, dos resultados, das conquistas.

Uma família compartilha momentos, bons e ruins, mas compartilha. Uma família busca amenizar dores. Físicas e do coração. Toda cirúrgia traz uma insegurança, mas estamos aprendendo juntos que elas chegam para trazer algo bom. Uma vida mais calma depois. A volta ao lar tão esperada. Em meses ou anos, estar aqui (Rio de Janeiro) será sinônimo de férias, e não consultas. Aos que me ensinam algo novo toda semana, acreditem… toda mãe escuta “larga de ser chata”, assim como todos os filhos escutam “eu te avisei, se você tivesse escutado” faz parte da história dos relacionamentos. Só que no final, depois de anos todos damos risadas dessas situações e o filho, já adulto, vai jurar que não aprontava e que nunca chamou a mãe de chata. A mãe, vai estar ali e amá-lo da mesma forma, sendo bagunceiro ou não. O mesmo dizemos dos filhos, porque não importa o que aconteça no mundo, sabemos que MÃE é um presente e tudo pode estar desmoronando, mas elas estão ali do nosso lado.

Sabemos e entendemos que cada cirúrgia é um aperto no coração, mas acreditamos, precisamos acreditar no positivo de tudo isso. Ainda que todo o caminho até ela seja complexo, precisamos unir forças para enfrentá-lo, só assim poderemos voltar a tão esperada normalidade. Precisamos ter fé, acreditar que estamos passando por isso e vamos crescer com isso. Acreditar que no final, todos estarão em casa. As atualizações sobre o dia-a-dia serão feitas por redes sociais e que a saudade vai aumentar, mas por uma coisa boa. Vamos todos celebrar uma vida saudável. E veremos os nossos pequenos e não tão pequenos vivendo, como todos eles merecem!

Ana Farias postou isto no dia 24 de março de 2015.


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