Diário Voluntário

Quantro anos de trabalho e QUARENTA Diários já compartilhados. Como o tempo passa rápido, não?? Uma coluna que começou de forma modesta, compartilhando as nossas visitas ou os dias de voluntário da Aninha. Já são quarenta experiências compartilhadas aqui. Aprendizados. Conquistas. Hoje nosso diário vem de fora da equipe oficial, porque se somos uma família, somos uma equipe. Podemos dizer que ela acabou, sem imiginar, se tornando a nossa representante no Rio Grande do Sul, com a palavra Vic Medeiros:

Olá galera, então vim aqui a pedido da Aninha deixar minha experiência voluntária e de aprendizado (mais de aprendizado) com os meus vovôs e vovós do asilo de minha cidade.

ASCAI, é um asilo bem esquecido de minha cidade, pouca gente vai visitá-los. As pessoas acham que é uma fábrica de lixo, jogam as pessoas lá e não precisam se preocupar. Lógico existe quem cuide deles. Só que para vocês terem uma noção, a maioria são de outras cidades, os parentes vão, colocam seus pais/avós e esquecem lá. É triste, porém toda vez que eu vou lá eu tenho a impressão de que foi a melhor coisa que fizeram por eles, ao menos lá eles recebem amor e cuidado, tanto de suas enfermeiras, quanto dos amigos que fizeram lá, e que talvez tenham até histórias parecidas.

Na primeira vez que fomos (tenho uma amiga que sempre vai comigo, vocês iram ver nas fotos) levamos 2 bolos de coco com leite condensado pra eles. Sempre levamos algo, porque falta algumas coisas, a minha cidade é pequena, fica no interior do Rio Grande do Sul, é complicado mesmo, mas fazemos o possível. Falta bastante fraldas, leite e remédios, mas como disse, é com calma que vamos fazendo nossa estrada e hoje em dia as pessoas só precisam de alguém pra dar a partida e incentivar. Já fiquei sabendo de várias pessoas depois de mim e minha amiga, que foram lá e fico muito feliz com isso.

No Natal queríamos fazer uma ceia para eles, mas acabou que não deu certo, porque eles dormem muito cedo, daí não dava, mas mesmo assim, eu e minha mãe fomos e levamos presentinhos para eles. A felicidade deles era de partir o coração e ao mesmo tempo uma sensação de que juntos e aos poucos podemos mudar o mundo, ou ao menos dar um jeitinho nesse mundo desengonçado.

Já fui lá tantas vezes que nasceu um amor tão grande de ambas as partes, que no último dia que fui, era para me despedir. Estou me mudando de cidade e vou poder estar com eles bem pouco agora, mas sempre que voltar para minha cidade, vou visitá-los. Aprendi muito com eles, ao sair de lá parece que sua alma sai mais leve, lavada sabe? Fico muito feliz, por finalmente estar fazendo alguma coisa, que não seja pra você mesmo, sem egoísmo.

Em minha nova cidade vou procurar trabalhos voluntários para seguir com essa energia comigo, isso me relaxa e me faz tão bem. Super recomendo. Ao invés de ficar na internet ou se drogando com remédios contra depressão, insônia, por exemplo, procurem fazer a alegria de outras pessoas! Vão ver o quão gratificante é e como você sai dessas atividades renovado.

Vou levar para minha vida todas essas experiências como um grande aprendizado.

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Ana Farias postou isto no dia 24 de fevereiro de 2015.


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