diario 2014

Assim, não chegamos em Fevereiro, o que em teoria traria um Diário Voluntário novo, mas ainda assim aqui estamos por motivos de: meu último trabalho voluntário foi tão especial!!

Reencontro e atualizações

Quase nunca chego cedo, geralmente pelo meu trabalho acabo chegando com o horário cravado, ou seja, nunca posso passar pelo refeitório e ver quem está por lá, parar e conversar. Só que por um ‘milagre’ na última semana eu consegui chegar mais cedo, parar no refeitório e coversar com as mães. Pode parecer uma coisa simples para vocês, mas para muito voluntários ali é o momento que temos para conhecer os hóspedes melhor. Podemos perguntar em meio a conversa coisas básicas sobre o tratamento e temos oportunidade de saber mais sobre a família que não está ali.

Dentre as descobertas. Uma piscina privada, porque só assim pode se divertir nesse calor, já que por segurança não pode usar uma coletiva e muito menos ir à praia. O ciúmes dos outros irmãos e a necessidade de ter a mãe por perto, principalmente em momentos pós quimio por se sentir não só vulnerável, mas também por insegurança de não se sentir bem e estar sozinho. Essas são simples, o ocorrido com o adolescente mais tarde chega a ser o fato engraçado. Já sabem que comer – COMIDA – é uma coisa mais complexa, lembram?? Então, uma mãe foi e arrumou o jantar e pegou uma fruta de sobremesa, laranja. Eis que adolescente disse que não comeu toda a comida porque está com a boca cortada, precisei brincar “mas a fruta que é cítrica você comeu hahahaha eu já tive a sua idade, isso não cola comigo” e agora virou a marca do jantar, vigiar se ele está comendo. Pode parecer bobeira, mas já vi terem que remarcar operações porque eles não estavam com a imunidade ‘ok’ ou mesmo por estarem com falta de determinada vitamina.

A outra parte especial, rever uma mãezinha que eu achava que não iria ver tão cedo. Lembrando que não revê-la é algo bom, significa que a minha princesa estava bem e de volta à sua cidade, vivendo sua rotina de novo. São só algumas semanas, são só exames de rotina, mas estou feliz. Feliz por ela estar bem, feliz por como ela mesmo diz “não tô mais careca”, feliz pela segurança que transmitimos uma a outra. Entendemos como essa rede de solidariedade funciona. Entendemos que não é só estar ali, é ouvir e realmente estar ali.

Ana Farias postou isto no dia 24 de janeiro de 2015.


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