diario sgffc

 

O que podemos compartilhar hoje? Tem semanas que acontecem tantas casualidades no voluntário que escolher um ponto para contar aqui fica difícil. Às vezes eu fico pensando se já falei disso aqui, se não. Ou “vou falar disso de novo?!”. Só que esse é o motivo pelo qual criamos essa coluna, compartilhar histórias. Pode até ser o mesmo assunto, mas quando os personagens são diferentes a história por si só já se torna diferente também.

Uma vez conversando com uma amiga ela disse “não sei, se meu filho tivesse alguma doença grave assim eu não ia conseguir brigar com ele”. Eu respondi o que eu pensava no dia.. “isso não tem nada a ver, você não pode não educar uma criança/adolescente porque ele está doente”. Doença é uma limitação sim, mas não pode ser vista como impedimento para uma vida normal.  Grave ou não, ela pode ser uma gripe, ou no caso da conversa um câncer. Ainda assim não justifica esse pensamento. Ainda completei, “pensa um pouquinho, ele fica bom e como você vai lidar se ele achar que pode fazer tudo, agir da maneira que quiser?!”.

Nessa última semana eu conheci um mãe que pensa exatamente como eu. Como a história de hoje foi uma experiência da Casa Ronald, podemos concluir que a doença em questão é o câncer. Nesse dia a minha tarefa era separar e entregar as fraldas, mas ganhei uma ajudante, a pequena Soso resolveu fazer as tarefas comigo. Imaginem uma menina de mais ou menos 3-4 anos andando atrás de você e perguntando absolutamente tudo, perdi a conta de quanto “por que?” eu respondi naquela noite. Como a entrega demorou, quando cheguei no refeitório muitos já tinham ou estavam voltando para o quarto. E como tinha gente nova.

Na hora da recreação que descobri o personagem principal da história de hoje, ele chegou uns minuto depois de aberta a recreação. Quieto e na dele, até que a sua mãe em voz firme disse “olha, você se comporta e nada de agredir nenhum coleguinha. Se não você já sabe, nada de recreação. Olha o que a gente já conversou.” Confesso que na hora eu não entendi muito bem, e tipo não achei que fosse preciso tudo aquilo. Mas estava errada. Ele realmente tem um temperamento mais explosivo e sempre que era contrariado queria arrumar briga, sem nem pensar na diferença de tamanho entre ele e as outras crianças.

Não tive problema em questionar o seu comportamento, possivelmente porque eu penso como a mãe dele. Imponho limites quando preciso impor, não é brigar. É mostrar a diferença entre o certo e o errado, que ele tem mais força que uma menina. Que nem todos os brinquedos podem ser dele na hora que ele quer. Por que isso? Porque se estamos ali lutando para mostrar que a doença é passageira, precisamos agir como tal. Só isso.

 

Ana Farias postou isto no dia 21 de julho de 2014.


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