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O ano de 2013 está quase acabando, mas aqui estamos para compartilhar mais uma experiência com vocês através do nosso Diário Voluntário

Casa Ronald, Rio de Janeiro

Acho que eu nunca vou deixar de de ter boas memórias sobre esse trabalho. Minhas horas como voluntária acontecem toda semana, são apenas 3 horas, mas suficientes para me proporcionar as memórias mais perfeitas e simples que eu poderia pedir. O que eu vou dividir com vocês hoje, acho, aconteceu deve ter cerca de uns 15 dias, mas lembro como se fosse ontem.

Fiz as minhas tarefas de voluntário naquela quinta feira, ajudei na hora do jantar e respondi a pergunta “vai ter recreação hoje?” provavelmente mais vezes do que eu imaginei um dia possível. Essa pergunta pode ser considerada a introdução para essa minha memória que espero seja eterna. Chegamos na sala, os maiores correram para o video-game, parte que não atrai nem um pouco os menores, principalmente as meninas. Sou carregada para a varanda por duas princesinhas, com 3 e 6 anos, lindas e sorridentes naquele mundo mágico infantil que vivem. Brincamos de balanço, escorrega até que a menor vira e pede para ir desenhar.

Nós 3 nos seguimos para desenhar, a mesa em uma sala de recreação tem o tamanho delas, ou seja, é uma mini mesa. As folhas do desenho eram maiores que uma A4 (dessas que usamos para imprimir coisas, tipo chamequinho). Por alguns minutos somos só nós três. Depois aparece mais uma. Eu chamo uma outra que estava querendo começar a chorar. Aparece outra e pergunta se ela poderia desenhar junto com a gente. Essa última é uma das crianças de 10-12 anos mais doces que eu já conheci. Concluindo, no fim estávamos em mais ou menos OITO em uma mesa que normalmente seria para quatro crianças pequenas. Só que quando as pessoas querem estar junto espaço é uma coisa bem relativa.

Ai chega a hora ‘triste’ o relógio apita dizendo que o nosso tempo junto está chegando ao fim. Vamos organizando tudo aos poucos, guardando aquilo que usamos. É preciso deixar a sala organizada para o próximo plantão de voluntários. De repente um dedinho me cutuca, eu olho para saber se esqueci de pegar algo e não era isso. A doce menina de 10-12 anos estava com o desenho dela na mão estendido para mim. “Tia, para você”. Três palavras que eu demorei a processar. Só pensei em dar o meu para ela, peguei o meu desenho na pilha e assinei “Tia Ana” e o sorriso que ela abriu quando eu entreguei a ela faz parte daquelas coisas na vida que você nunca vai esquecer, sabe?

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Ana Farias postou isto no dia 06 de janeiro de 2014.


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