Leia abaixo mais um post da nossa coluna semanal Diário Voluntário, em parceria com o SGBR:

Resolvi escrever hoje sobre um assunto cuja maioria das pessoas não se tocam quando o fazem e muitas vezes acham ruim quando alguém sinaliza o erro: achar que é psicólogo, juíz ou qualquer indivíduo maior que seja estudado e apto para realmente ajudar em qualquer aspecto uma criança dentro de um orfanato/abrigo.

Como eu já sou voluntária a tempo suficiente para ver ações e gestos que pessoas que vão visitar as crianças sempre, eu posso afirmar que esse gesto é algo corriqueiro, irritante e muitas vezes invasivo e desrespeituoso. Pessoas (e adolescentes) que pegam crianças para sentar e conversar e fazem certas perguntas do tipo “Como você chegou aqui?”, “Onde está a sua família?”, “Você é feliz?”, “Conversa comigo, eu vim te ajudar.”, sendo essa última a pergunta mais desnecessária, não se tocam do quanto esses questionamentos são muito para apenas crianças digerirem.

Um dia desses uma turma de 1º ano de um colégio de alto custo de Salvador veio visitá-los, e umas estudantes cercaram uma das meninas mais velhas do orfanato e falaram “Pode conversar com a gente, nós viemos aqui te ajudar”, e a resposta que elas receberam não poderia ter saído mais sincera e com uma leve grosseria necessária “Vocês são júizes por acaso para me ajudar?” e saiu do meio. As meninas não sabiam o que responder.

Que isso sirva de lição para elas, e eu gostaria que servisse de lição para muitos outros desavisados, que neste tipo de visitas a esses lugares, tem que se evitar o máximo de perguntas, afinal, todos eles sabem ou tem ideia do porquê eles estão ali e não precisam que desconhecidos os lembrem sempre da situação deles.

Que isso sirva de lição também a vocês, que estão lendo. Ser voluntário é algo muito bom e revigorante, mas precisamos saber fazer isso com uma certa cautela porque estamos lidando com pessoas em formação e que já tem questionamentos por demais para lidar. Fazer mais perguntas não os irá ajudar, e provavelmente terá o efeito contrário.

Michele Lima postou isto no dia 09 de junho de 2014.


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