Quem já visitou alguma instituição, ou participou de alguma ação voluntária, que envolva crianças possivelmente já ouviu “não podemos deixar que elas cresçam sob a gente”. O que isso quer dizer? Que nenhum trabalho ali deve ser desrespeitado, não importa a função. Que indiferente da situação todos, crianças e adolescentes, devem entender o que significa repeitar o próximo. Não podemos deixar situações de ‘falta de educação’ acontecerem. Não é porque são órfãos ou estão doentes, que essas situações devem ser aceitas. Um dia os órfãos ganham uma família, os que hoje estão doentes estarão curados. Precisamos construir o caráter deles desde sempre, afinal educação e bons hábitos são coisas que adquirimos com o tempo, não do dia para noite.

Egoísmo de criança ou implicância de irmão? Como diferenciar? Há diferença se percebermos que a fala ‘é meu’ e os atos de não querer compartilhar forem direcionados a outras crianças também, e não só aos irmãos. No entanto, aquele que não divide com o próprio irmão, vai mesmo dividir com terceiros? Ás vezes sim, ás vezes não. Cabeça de criança é difícil de acompanhar, mas é possível guiá-los para a direção correta. Eles precisam aprender a compartilhar, entender que dividir um brinquedo não significa ficar sem ele e sim ganhar uma companhia para a brincadeira. Brincar em conjunto é compartilhar experiências, é aprender coisas novas. Precisamos mostrar isso para eles. Nem sempre isso é uma tarefa fácil, mas ainda que você precise contar uma história para explicar tudo isso, no final você vai perceber que ver o resultado dessa troca de experiências entre eles faz tudo valer a pena.

Outro ponto comum… fazer com que os maiores entendam que os menores precisam de maiores cuidados. Esse é outro fator que sempre gera ciúmes, quem tem irmão mais novo sabe disso. Em um trabalho voluntário esse ciúmes não é diferente. Os pequenos sempre vão precisar de auxílio para executar algo, os maiores vão arrumar um jeito para chamar sua atenção. Que seja sempre por uma conversa, e menos por bagunça, até porque essa pode fazer com que terceiros se machuquem. E não importa a instituição, machucar terceiros implica em alguma forma de punição. Se isso acontece na nossa casa, porque seria diferente em um orfanato ou abrigo, por exemplo. A punição, ou mesmo castigo, não deve ser encarada de forma negativa. Ela existe para evitar confusões maiores.

Se recebemos um ‘aviso’ do que pode acontecer caso as regras continuem sendo desrespeitadas, por que continuamos? Porque sempre acreditamos que as regras nunca serão realmente aplicadas. Porque sempre achamos que determinada coisa nunca irá acontecer com a gente. Nem sempre é assim. Ai acabamos por ouvir aquela famosa frase “eu avisei” e não temos argumentos de resposta. Que tal repensarmos nossas ações e começar a acreditar que as regras existem para serem seguidas. Seguir uma regra imposta não é só ser educado, é entender que ela existe para prevenir algo que em algum momento já aconteceu. Dividir não é perder, é adquirir coisas novas. Pensem nisso.

Ana Farias postou isto no dia 02 de junho de 2014.


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