diario sgffc

Quando você se responsabiliza em doar três horas semanais, em tese você doa apenas essas três e já se sente satisfeito por ter feito a sua diferença. No entanto, quando essas três horas são doadas de coração, essas três horas muitas vezes parecem três minutos. Na última semana vivi exatamente isso.

As tarefas foram realizadas seguindo a mesma rotina. O clima de copa seguia entre os corredores, os meninos e seus álbuns, seus bolinhos de figurinha repetida. Você perguntar “e ai conseguiu completar os três que faltavam?” e ouvir “sim” é algo que não tem preço. Lembrando: o mesmo que conseguiu completar o álbum é aquele, que faz algumas semanas, eu citei ser a prova de que figurinhas podem ajudar a socialização. Quem não lembra, só ler o relato aqui.

Em meios as tarefas, no sobe de desce para conseguir encontrar todos os responsáveis antes da hora do jantar, você esbarra com uma mãe que virou amiga ou uma criança que tem o mesmo nome que você. A primeira reação, querer parar e conversar, mas ainda não é hora “livre”. Parar e conversar com todos que você encontra nem sempre é possível da forma que queremos, porque o tempo é curto e as tarefas são muitas. Outro ponto, se não terminamos as tarefas no tempo determinado, os voluntários não são liberados para abrir a recreação… e é ai que se instala o problema e a pergunta que é repetida milhares de vezes “não vai ter recreação não?!”

Na recreação a gente faz o que eles querem, tem dia que é teatro, na semana seguinte é desenho. Cada um gosta de uma coisa, cada semana eles estão fissurados por uma coisa. O melhor é quando só ouvimos “tia, você pode ficar aqui e olhar a gente brincando”. O que entra na questão, não é só brincar é estar lá. De corpo e alma. Presente de verdade. É ser parte.

Sobre ser parte. É ter um plantão chegando ao fim e ainda assim não ter seu trabalho terminado. É passar pelo refeitório e ver duas princesas jantando, sentar com elas e conversar. Ainda que não tenham mais que cinco anos. Saber como elas estão, o que fizeram, brincar com as cores que escolhemos para as nossas unhas. Olhar no relógio e ver que já são quase 22h, perceber que se em um plantão 3 horas podem parecer 3 minutos. Fora do plantão, os quase 60 minutos que fiquei por ali, foram com certeza percebidos como menos de 60 segundos.

Ana Farias postou isto no dia 30 de junho de 2014.


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