Confira mais um texto da nossa coluna semanal Diário Voluntário:

A chegada de novas crianças no Lar da Criança é sempre uma mistura de sentimentos. Dúvida, alegria, tristeza, aflição. Alegria por ter mais uma vidinha ali, pra você (eu) cuidar, brincar, colocar pra dormir. Tristeza por que você percebe que é mais uma criança abandonada ou que teve que abandonar a família por um motivo que talvez eu nunca saiba. Aflição por saber dos motivos e juntamente com dúvida do porquê esta criança chegou ali.

Semana passada chegaram gêmeas no orfanato – Andreza e Adriele. Prematuras, com já dois meses completos e cabeludas (muito por sinal). Aflição do porque elas foram para lá não existem, até porque elas são muito pequenas, e que com certeza elas vieram direto do hospital. Mas a dúvida do porque elas tiveram que deixar suas famílias é o que incomoda.

Qual o motivo da sua mãe não poder ter ficado com elas? Ou o pai? E os tios? Avós? O que houve com todo o resto da família que poderia sim ter ficado com elas?

Mas nesse caso, eu descobri o porque elas estavam lá. Sua mãe, tem problemas psicológicos e seu pai, ninguém sabe quem é. Também descobri que o irmão delas havia estado naquele mesmo orfanato, e que eu o havia conhecido. Isaac foi adotado, e assim que eu conheci as gêmeas a mãe adotiva dele estava ali, as visitando. Ela, mãe adotiva do irmãos das bebês, não irá poder ficar com as meninas (nesse caso ela seria a favorita a adotá-las porque ela adotou uma criança que possui um laço sanguíneo com elas), pois ela não tem condições de criar três crianças. E aí surge mais um sentimento um tanto quanto desconfortante]; angústia.

Michele Lima postou isto no dia 19 de maio de 2014.


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