diario sgffc

Estamos com a nossa Retrospectiva 2013, mas não podíamos deixar de postar o nosso Diário Voluntário, afinal nossas experiências como voluntárias podem, um dia, fazer com que algum de vocês se interessem e comecem fazer a diferença na sua comunidade também!

Casa Ronald, Rio de Janeiro

Depois de dois anos de dedicação ao SGFFC, finalmente posso dizer que realizei um dos meus sonhos: fazer a diferença na vida de crianças que sofrem com algum tipo de câncer. Desde que a Selena nos apresentou Júlia, em uma das visitas ao Hospital Infantil da Filadélfia, que a minha curiosidade por essa experiência de vida foi aumentando. Passei a acompanhar a vida da Julia, mesmo conhecendo poucas coisas sobre ela. Meses depois, em uma roda de amigos a descoberta de que do meu lado existia uma pessoa que fazia voluntário na Casa Ronald McDonald. Tudo o que eu precisava para começar a entender melhor como era o dia-a-dia dos que sofriam com a doença.

Na semana seguinte, lá estava eu, visitando a Casa Ronald e conhecendo a fundo o trabalho realizado ali. O que mais me chamou atenção: a casa vive quase que inteiramente de doações e não de benefícios gerados pelo McDonald. Por isso, a importância de que exista uma divulgação do trabalho e que as pessoas entendam que a casa funciona como um abrigo aos que não possuem recursos de ir e vir para manter o tratamento do câncer. Na casa existem pessoas dos mais diversos lugares do nosso país, ou seja, é uma grande mescla de culturas e hábitos, mas vivendo naquele determinado momento a mesma coisa e passando de alguma forma pelas mesmas dificuldades. Ainda que estejam ali para o tratamento de uma doença, que sabemos é cruel, um dos melhores sons do universo habita os corredores quase que o dia todo do local, as risadas das crianças.

Seja conhecendo a casa, seja trabalhando na casa, é fácil encontrar com um rostinho que em meio ao sofrimento consiga sorrir. São esses sorrisos que me fizeram entender que ainda que as coisas estejam complicadas, muito além do nosso entendimento, sempre existe algo que pode torna-las mais fáceis. Basta a gente acreditar. Sabemos que essa alegria natural das crianças, quase sempre acontece pela inocência ou por não terem a consciência do quão grave é a doença. Talvez seja por isso que a gente passe a ver a doença de uma forma mais leve. Muitas vezes é a alegria das crianças que faz com que as mães consigam passar por esses momentos, porque a família é a única que realmente sabe a gravidade da doença. As crianças muitas vezes só sabem que estão doente.

Hoje, como voluntária, eu já não vejo a doença como algo tão assustador, tenho consciência de ser algo grave e difícil, mas já não vejo como algo sem esperança. É difícil estar lá e não se apegar as crianças, não fazer amizades com as mães ou mesmo não se envolver com o histórico da doença daqueles que você se torna mais próximo. Ainda que o trabalho seja uma vez por semana, apenas três horas… posso dizer que é o suficiente para aprender e muito. E com coisas simples, como ficar escolhendo o que comer ou apenas querer uma pessoa para ouvir um momento da sua vida. De fatos marcantes, acho que eu posso compartilhar com vocês dois momentos que eu vivi no jantar, o primeiro quando em uma semana um dos meus amiguinhos jantou normal e na outra ele só podia comer feijão; o segundo, um fofo de quatro anos com fome e sem conseguir comer por efeitos do remédio. Já tinha visto pessoas que ainda enjoadas conseguiam se alimentar, mas esse anjinho depois de conversas tentou comer e simplesmente não conseguiu engolir. Os olhinhos dele de frustração foram de cortar o coração.

Cada semana é um hóspede novo que chega, alguns que se despedem porque estão voltando para casa depois de um longo período de tratamento… e o que fica o nosso aprendizado de voluntário. A troca de experiências que entra na lista de coisas da vida que não podemos comprar.

.

Ana Farias postou isto no dia 23 de dezembro de 2013.


Comentários
Design e programação: Isabella Sivic & Danielle Cabral