Compartilhando mais uma experiência de ser voluntário em um orfanato. Mais um post da coluna Diário Voluntário, em parceria com o SGBR:

Se a melhor coisa do mundo que pode acontecer em um orfanato é quando uma criança é adotada, a pior é quando ela é devolvida. Sim, devolvida, como se fosse um objeto.

Isso aconteceu com uma das crianças do orfanato que eu não falarei quem é, mas ela é do sexo feminino e tem seis anos. Ela foi entregue ao orfanato quando era um bebe, e poucos meses depois de chegar lá, foi adotada por uma mulher muito rica.

Então, ela cresceu em uma boa casa, com uma família boa, tendo tudo o que queria e, provavelmente, tirando pelo jeito que ela age hoje, nunca recebeu um ‘não’ na vida. E todos sabem o que acontece com uma criança que não recebe um não na vida: ela não tem limites.

Anos depois, essa mulher perdeu todos os bens e ficou pobre. A primeira coisa que ela fez? Devolver a criança para o orfanato por “não ter condições de ficar com ela.” Entendo que ela estava passando por algo muito difícil, afinal perder tudo não é nada fácil, mas devolver a criança? Como é que adota uma criança e depois a coloca de novo do lugar que a tirou sem nem visita-la mais depois? E todo o suposto amor que existia ao passar meses tentando adotá-la?

Hoje, essa criança é uma criança vazia, briguenta, desobediente, que ri de outras crianças. Há tanto rancor e ódio no coração dessa menina de seis anos, que qualquer adulto com motivos concretos para ser assim teria pena. É compreensível ela ser desse jeito, porém não é desculpa. Ter que reeducar uma criança que já teve tudo a aprender a dividir tudo e todos com mais 15 crianças é relativamente difícil, e está sendo.

No momento que você adota uma criança, a opção de manda-la para o lugar que você a tirou não deveria nem entrar em cogitação. Dificuldades todos na vidam passam, mas é sempre momentâneo.

Michele Lima postou isto no dia 17 de março de 2014.


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