Hoje a declaração não é específica de um tipo de trabalho. No nosso caso, sobre as nossas visitas ao orfanato ou sobre o trabalho voluntário realizado na Casa Ronald McDonald. Vamos falar de um modo geral, porque o assunto a ser tratado acontece nos dois lugares, e em qualquer outro local em que se realize trabalho voluntário.

“Não se apegue”

Acho que desde o primeiro contato com o trabalho voluntário, seja qual for, a frase que mais ouvimos pelos que já estão fazendo esse trabalho é a frase “Não se apegue”.

Em casa é a mesma coisa, nossos pais adoram nos lembrar a cada segundo “Não se apegue”. No entanto a grande pergunta: é possível realizar um bom trabalho sem criar sentimento? Sem se envolver?

Nós acreditamos que não. Conversando com alguns alunos do curso de Terapia Ocupacional da UFRJ, chegamos a mesma conclusão. Nós acreditamos que se não existe envolvimento, o trabalho não pode ser realizado de forma verdadeira. Sem envolvimento não existe confiança por parte daquele que necessita ajuda. Não importa o que vai acontecer no futuro, no momento presente a ajuda só acontece quando existe cumplicidade. Aqueles que estão ali esperando para serem ouvidos, como as mães da Casa Ronald, ou querem apenas um companheiro para brincadeiras e histórias, como as crianças, só querem compartilhar o que sentem.

Não precisamos incluir as nossas experiências, só precisamos ser parte. É mais uma questão de entender que ali nós não somos a prioridade, somos como a distração da semana. As horas, os minutos em que os problemas desaparecem. Funcionamos como uma válvula de escape para os adultos. Como horas de lazer para as crianças. Nós estamos doando poucas horas do nosso dia, mas aos que recebem elas são de muita importância, acreditem.

Agora, se no meio do caminho escolhemos não nos apegar por medo, quem perde? Nós mesmos.
Nunca, nunquinha que abriria mão da felicidade do trabalho voluntário por medo da perda. Já aprendi a conviver com a saudade de uma criança que foi adotada, com a que voltou pra família. Se um dia as encontro de novo, não sei. Mas cada momento com elas foi incrível e para sempre inesquecíveis. E os mesmos pensamentos e sentimentos eu compartilho com todos que convivo na Casa Ronald, caso um dia eu perca algum deles para a doença.

Já entendemos, o que precisamos é viver.

Viver o hoje, sem vergonha e sem medo, porque todos merecemos ser felizes.

Ana Farias postou isto no dia 03 de março de 2014.


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