Como já de costume, confira mais um texto da coluna semanal Diário Voluntário logo abaixo, em parceria com o SGBR

A adoção, por mais bonita e digna que seja o ato de adotar, continua tão linda assim quando por meio dela uma “família” se desintegra? Sim, sabemos que uma família, de acordo com os primórdios da sociedade, é formada por uma mãe, um pai e filho (os). Porém a partir do momento em que esses filhos são deixados, ou por um motivo maior se separam dos pais, o significado de família para ele(s) acaba sendo um ao outro.

O desintegrar de uma “família” ao qual eu me referi é o que sucede após a adoção de apenas um de dois irmãos, ou um de três irmãos, ou de qualquer maneira, resumindo, o simples ato de por meio de um gesto tão bonito separar uma família que já estava separada.

Acontece, com muito mais frequência do que deveria, por n motivos, mas nenhum deles é seriamente plausível ao ponto de alguém achar normal, ou humano, o ato de separar irmãos por meio de uma adoção.

Obviamente esse não é um assunto amplamente debatido, porque a grande maioria apenas olha para o bom lado da adoção e pensa “Ele foi adotado, que ótimo! Pena que o irmão ficou, mas logo logo ele será também”, e nem sempre o que eles acham que irá acontecer acontece.

A pessoa que quer adotar com toda a certeza sabe o quanto é importante ter uma família e quanto o desejo de ter uma é imprescindível. E o fato de desintegrar uma já consistente apenas para fazer a sua própria, não me desce.

Sendo “voluntária” nada me agrada menos do que ver uma criança sendo adotada deixando o seu irmão para trás, claro que involuntariamente, e os novíssimos papais todos bem alegres, agindo como totais egoístas, não desmerecendo, novamente, o ato de adoção, que ao meu simplório ver é muito mais complexo do que imaginam.

Michele Lima postou isto no dia 17 de fevereiro de 2014.


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