Publicado por Ana Farias em 24.jun.2017

Desistências

O site da BBC publicou uma matéria incrível sobre adoação, abordando pais de desistem de ser pais e crianças que acabam sendo devolvidas. Fizemos um recorte para trazer para debate, mas se quiserem ler tudo, o que vale muito inclusive, só clicar aqui.

Então, ler esses tipo de assunto mexe um pouco com a gente, talvez por nossas ações terem começado em orfanatos e a gente ver como as crianças se sentiam especiais quando depois de tanto tempo viam alguém se importando com elas novamente. Depois quando fiz estágio em um abrigo percebi o quanto esses abandonos criam marcas. Bom, se vocês assistirem The Fosters vão conseguir entender o que seriam essas marcas que estamos dizendo.

Para esclarecer, até porque se as informações sobre adoção não são tão faladas, as sobre desistências são menos ainda, uma pessoa só pode desistir de uma adoção durante o estágio de convivência, fase que tem duração pelo menos de 30 dias. Após conclusão dos procedimentos de adoção, contudo, não há previsão de “devolução”, não gosto de usar esse termo, até porque estamos falando de pessoas, mas realmente não consigo pensar em um melhor.

A adoção é medida irrevogável, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que atribui ao adotado a condição de filho. Uma eventual “devolução” nesse caso poderia ser enquadrada como o crime de abandono de incapaz. Por isso profissionais lutam para que direitos conquistados seja no ECA ou na nossa Constituição vigente sejam mantidos, para que em situações não esperadas a gente possa recorrer à algo que nos defenda.

Embora a desistência no estágio de convivência seja direito dos pretendentes, pois está prevista no ECA, alguns Estados têm tomado medidas para minimizar os impactos desses casos. Sim, o impacto pode ser algo muito maior do que podemos imaginar e implicar consequências na vida dessas crianças/jovens por muito tempo, isso se não para sempre, dependendo do acompanhamento que recebam.

Em Porto Velho (RO), por exemplo, o Juizado da Infância e Juventude fez acordo com pais desistentes para que subsidiassem um ano de psicoterapia para as crianças. As motivações que levam à devolução passam por questões subjetivas tanto dos pais como das crianças, que costumam carregar histórias de sofrimento, diz a assistente social e doutora em Serviço Social Angélica Gomes. “As famílias muitas vezes não estão preparadas (para a adoção), e os profissionais têm dificuldade de lidar com essa realidade. E no auge do conflito as pessoas pensam na devolução como solução imediata”, diz.

Se a gente pensar com o conhecimento que temos por assistir The Fosters, vamos entender que é preciso romantizar menos o processo de adoção, porque ele não é simples e ainda é muitas vezes, quase sempre na verdade, muito longo. Adoção não é um processo fácil, você adota não só um novo membro para família, mas também uma história e temos que estar preparados para viver essa nova história, só assim o resultado final será feliz.

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