Publicado por Michele Lima em 08.jul.2017

Bandido bom é bandido morto

Quantas vezes você já escutou a frase “Bandido bom é bandido morto”? Olha que a gente já, principalmente morando no Rio e convivendo com diferentes classes sociais e em ambientes que parecem valorizar a desigualdade. Agora, sorte a sua se você nunca precisou ouvi-la.

Infelizmente a realidade do Brasil não é uma das melhores, e o reflexo da falta de investimento na educação, a desigualdade social e outros fatores vem refletindo na sociedade de muitas maneiras. O aumento no número de presidiários no Brasil, por exemplo, pode ser colocado como um dos fatores.
Já passa dos 600 mil o número de presidiários – ressaltando que considerando quantos estão neles esse número é muito baixo. Não adianta termos tantos se não buscamos uma ressocialização dos presos, se não buscamos oportunidades de melhoria de comportamento.

Desculpem, a atitude deles/as podem até ser errada, mas estar ali por estar não vai mudar se não pensarmos em maneiras de trabalhar o cenário que os colocou na prisão e não pensarmos como será a volta deles para a sociedade.

A matéria do jornalista Marco Antônio Martins trata sobre a situação desses presidiários que tem tido como consequência a morte. Confira a matéria e deixem seus cometários sobre o que vocês pensam disso em nossas redes sociais, porque já entendemos que as mudanças só irão começar quando começarmos a falar de forma CONSCIENTE sobre!

Cinco presos morreram por mês, em média, entre 2010 e 2016, no sistema penitenciário do Rio. Dentre as 442 mortes ocorridas nas cadeias, 278 ocorreram por doenças e 17 casos por insuficiência respiratória (mortes que o Ministério Público classifica apenas dessa forma e não como doença). E em 117 casos não se sabe o que causou a morte dos internos.

Os números fazem parte de um levantamento do Ministério Público estadual do Rio e do Instituto Igarapé, que afirmam terem usado como base dados oficiais da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Segundo autores do levantamento, a ideia da formulação do estudo é discutir a situação no sistema penitenciário do Rio e buscar soluções para os problemas. Uma delas é a reativação do Conselho da Comunidade, grupo formado por profissionais de diferentes instituições e da sociedade para auxiliar no contato com os presos. O sistema penitenciário do Rio tem 51 mil detentos divididos em 43 unidades.

O G1 consultou a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária sobre o levantamento, mas o órgão não se pronunciou. “As classificações das causas de morte no sistema são muito frágeis e me parece urgente se fazer uma coleta de dados qualificada porque hoje está muito ruim. Na classificação aparecem casos identificados como ‘hemorragia interna’ mas não diz o que aconteceu de fato: se o detento foi vítima de violência ou de doença”, explicou a pesquisadora Ana Paula Pellegrino, do Instituto Igarapé.

Chamaram a atenção dos pesquisadores as 117 mortes de presos classificadas pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) como de “causas não informadas”. “O Rio não segue uma classificação internacional para identificar mortes no cárcere. Por isso, essa classificação frágil. O diagnóstico é bem ruim”, avaliou Ana Pellegrino. […] Uma das suspeitas da pesquisadora é que parte deste problema seja causado pela superlotação da unidade. […]

O estudo mostra que 13 presídios do Rio estão com lotação 200% acima da capacidade. São unidades de médio e grande porte com capacidade para 600 a 1.000 presos. “Há unidades maiores no Rio e observamos que em alguns presídios a situação é muito difícil. A certeza que temos após o estudo é que as coisas estão bem ruins e agora há a clareza do que precisa ser feito para mudar uma situação complicada.

Raio X dos presídios (Foto: Editoria de Arte / G1)

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