nepal

Não podemos considerar as nossas atividades, campanhas e movimentos como “ações humanitárias” simplesmente porque buscamos mudanças locais e nosso trabalho atinge menor escala. Mas podemos, acreditamos, dizer que o sentimento de vontade de deixar esse mundo um pouco melhor do que quando chegamos é o mesmo dos que realizam ações humanitárias pelo mundo.

Aos que não sabem, o trabalho humanitário, em geral, é perigoso. As pessoas que se dedicam a prestar ajuda normalmente enfrentam condições adversas e se submetem a grandes riscos para salvar vidas, reconstruir comunidades e trabalhar em meio a conflitos, catástrofes e crises. Só que essas emergências vêm aumentando tanto em frequência quanto em complexidade, o que representa um risco adicional para os trabalhadores humanitários – e a mortalidade entre eles tem aumentado na mesma proporção. O que é ruim, porque um, mostra que o mundo está precisando cada vez mais de ajuda, e dois, limita as pessoas que se propõem em estar nessas ações em função dos riscos.

Quer entender o que estamos dizendo um pouco melhor, vamos considerar só o último mês:

  • No Sudão do Sul, trabalhadores humanitários foram mortos por brigadas armadas enquanto apoiavam a missão destinada a alcançar crianças desnutridas, antes que fosse tarde demais.
  • Em Gaza, trabalhadores assistenciais perderam a vida durante bombardeios realizados enquanto cuidavam de pessoas doentes, feridas ou à beira da morte, ou confortavam as famílias dos mortos.
  • Em Serra Leoa, na Libéria e na Guiné, trabalhadores da área de saúde que tentavam desesperadamente salvar vítimas da epidemia do ebola sucumbiram, eles próprios, ao vírus. E outros continuam expostos por estar trabalhando para interromper a propagação da doença.

Isso tudo em apenas algumas semanas; muitas outras vidas foram perdidas ao longo dos doze meses anteriores. O ano de 2013 registrou o maior número de baixas entre os trabalhadores humanitários. No início deste ano, um ataque a um restaurante no Afeganistão matou quatro trabalhadores, incluindo dois colegas do UNICEF, um da área de nutrição e outro da área de saúde. A perda desses heróis significa uma perda para toda a comunidade humanitária – e para o mundo.

Devemos demandar proteção sempre que for possível para aqueles que protegem a vida dos outros, e para quem mais precisa de proteção: as crianças. Pois o recrudescimento das crises humanitárias não pode dar espaço ao enfraquecimento do nosso senso comum de humanidade.

Fonte – UNICEF Brasil

Ana Farias postou isto no dia 08 de setembro de 2014.


Comentários
Design e programação: Isabella Sivic & Danielle Cabral