Publicado por Ana Farias em 09.jan.2018

A liberdade de um nome

Não sei quantos de vocês assistem séries de forma, digamos excessiva. Quantos prestam atenção em qual canal a sua série é transmitida e se quando prestam, pensam “nossa, estou vendo mais um seriado do mesmo canal”.

Isso sempre aconteceu comigo, desde quando ainda assistia The O.C. – quando na época era WB, que mais tarde virou o que hoje conhecemos com CW. Arrisco dizer que por muito tempo, mas muito mesmo, assisti muita coisa produzida por eles, seja pelos produtores ou por eu continuar acompanhando atores e atrizes que seguiam trabalhando por lá. Até que a estréia PLL em um outro canal me fez aos poucos começar a migrar para a ABC Family.

Lembro que em PLL mesmo, a produtora, Marlene, buscava sempre tocar em assuntos que questionavam o que a sociedade americana gostava de ver na TV, ainda mais sendo no horário nobre. Um pouco tempo depois eu descobri The Fosters, no mesmo canal e com discussões que muitos em nossa sociedade não querem admitir existir. Considerando principalmente o nome do canal “FAMÍLIA” quando retratava famílias não tradicionais em suas histórias. Uns anos atrás a ABC Family se tranformou em FREEFORM e ganhou a liberdade para mostrar o que hoje vemos.

Perdeu público? Talvez, sim. Provável que os mais conservadores não gostaram de ver o que a sociedade está vivenciando na tela da tv, na hora do jantar ou mesmo nas conversas que acontecem no dia-a-dia. Em contra partida, temos absoluta certeza que ganharam mais público, porque outras parcelas da sociedade se sentiram representadas.

Seja quando você tem um familiar militar e precisa dizer para ele que é homossexual. Seja quando você se sente que precisa ser perfeita porque a sua irmã mais velha é. Ou quando por adversidades da vida acha que nunca terá uma família e por isso acredita que construir uma barreira para não criar laços é a forma mais fácil de viver.

Colocar o nome do canal de FREE proporcionou trazer para discussão questões que o EUA vem enfrentando, como os problemas de imigração e com os imigrantes, e situações que o mundo vem enfrentando, como: igualdade de gêneros, liberdade política, violência sexual. Assuntos que incomodam, mas que precisam ser ditos e precisam incomodar para que se discuta sobre.

Uma discussão sobre um episódio de série pode não ser tão culta e cheia de informações e dados como uma discussão acadêmica, mas ela gera burburinho e esse burburinho traz conscientização. Mesmo que pouca, mesmo que sem muitos efeitos. O que queremos trazendo isso para debate? Mostrar que nós podemos estar “perdendo tempo” como muitos acham vendo série, mas se você escolher uma com um bom tema ou que traga boas discussões não será perca de tempo, será a construção de uma opinião. E nos dias de hoje isso é muito importante!

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