Publicado por Ana Farias em 09.ago.2018

1968 x 2018 – Já escutou sobre essa comparação?

Não vou dizer que eu já sabia dessa comparação, porque eu estaria mentindo. Só que em uma das manifestações que eu fui (sim, faço parte dessa galera que vai para rua, não tanto como gostaria, mas na medida do possível) escutei essa comparação e fui tentar entender o que aconteceu em 1968. De memória, eu só sabia que poderia ter alguma relação com os anos de ditadura, aquela que foi instaurada em 1964.

Na correria da vida, não consegui ler sobre na mesma época que escutei essa comparação, mas passeando pelo site do El Pais Brasil¹ uma sugestão de leitura sobre esse tema e a curiosidade me fez ler para tentar entender melhor tudo isso que estamos vivendo. Não sei, mas acredito que o maior motivo para tal comparação seja o fato de naquele ano os brasileiros terem perdido muitos direitos e muitas mobilizações terem acontecido.

Se hoje vemos questões estudantis como corte de bolsas científicas ganhando repercussão e matérias que formam opinião e ampliam a cidadania sendo cortadas dos currículos escolares. Naquele ano, pessoas passavam no vestibular e não tinha vaga nas universidades. Imaginam o tamanho da frustração desses jovens que estavam para ingressar na universidade? As grandes reivindicações da época eram relacionadas à verbas para educação e algumas das consequências delas foram vividas no que foi chamado de sexta-feira sangrenta. Tem um trecho do filme “Ou Ficar a Pátria Livre ou Morrer pelo Brasil”, de Silvio Tendler, para vocês entenderem um pouco melhor esse momento histórico. Ainda compartilhamos um outro vídeo, também da reportagem do El Pais Brasil* que mostra um resumo do que foi o ano de 1968 e o impacto da luta polícia x estudantes.

Quando vemos tantas coisas acontecendo, sejam as manifestações que são paradas, na sua maioria pelas autoridades e de forma truculenta, ou mesmo como atos de violência seguem acontecendo, sabendo desse nosso histórico talvez essa realidade do passado possa estar voltando mascarada pela mídia e pelas grandes empresas/empresários.

Essas grandes movimentações históricas acontecem sempre que a distância entre as classes sociais começam a ser reduzidas e, principalmente, quando aqueles com menos condições passam a ter acesso. Vivemos hoje uma sociedade que, em sua maioria, ignora o significado da palavra privilégio, pelo simples fato de achar que o significado dessa palavra está relacionado apenas à classe social. Quer entender como ser privilegiado mais a fundo?

A conclusão que chegamos com essa comparação de anos? Que mais um vez direitos conquistados estão sendo apagados. Nossa Constituição, o Estatuto da Criança e Adolescente e outras leis de base vão a cada dia sendo menos valorizadas e quem mais sofre com isso é o povo. Saber que a educação vem cada vez mais sendo tratada como mercadoria, quando deveria ser um direito, só faz com que todo esse abismo de desigualdade cresça.

Nosso país tem uma extensão muito grande, é hipocrisia nossa achar que as leis que regem as grandes capitais e o sudeste, principalmente, devem ser aplicadas em todos os estados e regiões. Ou que as falhas que vemos aqui não acontecem nas zonas mais afastadas. Quando possivelmente o descaso por lá possa ser maior. É preciso entender a realidade de cada local e buscar soluções ali, para que essas mudanças juntas possam mostrar algum efeito aos olhos e fazer com que as pessoas voltem a acreditar ser possível.

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